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Sinais dos tempos: Números

Sinais dos tempos: Números

Desde o princípio da humanidade o homem tem registrado eventos de suas ações. Nas cavernas, seus registros de caça e coisas cotidianas. A chamada "arte rupestre" retratava crenças, rituais e descobertas, feitas ao longo de suas vidas. Com a evolução da humanidade surgiram novas formas de registro após a fala, com o surgimento dos signos que representam cada letra; os algarismos romanos e então os números que hoje utilizamos. Sabemos muitas origens, mas o que o futuro nos reserva? É desse assunto que trataremos na série "Sinais dos tempos", dividido em dois artigos, a começar por esse: "Números".

Registros da história

Certamente as turbulências da vida na pré-história não tinham como estrela as habilidades intelectuais. Não havendo nada como ponto de partida a não ser a própria vida, o homem foi descobrindo como resolver questões imediatas. Por mais simples que pareçam, as descobertas da época eram registradas em paredes; a forma de caçar um determinado animal, as guerras, os cultos. Em imagens simplórias que representavam os homens e animais, pouco a pouco a informação passou a fazer volume.

Os números

A partir do momento em que o homem se estabeleceu e começou a cultivar e ter criações, surgiu a necessidade de um novo tipo de registro; a contagem.

A estratégia inicial era a equiparação, utilizando uma pedra para cada animal do pasto. Bastava aferir as unidades de pedras para saber se faltava algum animal. Logo surgiu a marcação com traços em galhos ou paredes, mas a humanidade foi evoluindo cada vez mais, os volumes aumentaram e esses métodos já não eram mais eficazes.

Números babilônicos

Com a evolução de aldeias à impérios, houve em dado momento o comércio, e nesse último estágio já se fazia necessário uma forma precisa de se fazer registros. Entre 1792 e 539 a.C, o povo babilônico aperfeiçoou o sistema de contagem, cujo registro era cunhado em argila.

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Números romanos

Surgido na Roma antiga, os algarismos romanos eram ainda mais simples. Com algumas poucas regras e apenas 7 signos se representava qualquer número.

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Efetuar uma operação matemática não era algo simples. O zero como valor inexistia.

Na idade média a palavra "nulla" ("nenhum", em latim) foi utilizada para representar 0. Outras curiosidades também surgiram a partir dos romanos, como o sistema duodecimal (12) para números fracionários racionais, que preveniam dízimas periódicas. Nesse sistema, 1/12 avos era a "unciae" - a "onça", representada por um ponto ( ".").

Outros sistemas numéricos

Claro que existiram diversos outros sistemas numéricos, como indo-arábicos. Para números altos, havia o sistema apostrophus e o vinculum. Mas em dado momento da história a base decimal e os signos que utilizamos atualmente se tornaram o padrão; pelo menos até o surgimento da tecnologia digital.

Grandes matemáticos como Isaac Newton, Arquimedes, Carl Gauss, Albert Einstein e diversos outros facilitaram nossas vidas com fórmulas e equações das quais hoje fazemos uso sem conhecer sua essência. Porém, por mais que esses "atalhos" no facilitem a resolução de problemas, sua aplicação manual abre espaço para erros de cálculo por uma mera distração, além de consumir tempo considerável.

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Os cálculos se tornaram maiores, mais complexos e demandavam mais tempo. Na era "moderna", cálculos manuais já se tornavam inviáveis; aqueles riscos nas paredes das cavernas ou a representação romana já não eram mais utilizadas, mas ainda com a atual base decimal havia uma limitação: O homem. E para auxiliar em sua própria "deficiência", o homem criou então a Facilit para agilizar os cálculos. Mas ainda não era suficiente; um erro de entrada haveria de ser reparado retrocedendo o processo de cálculo, girando a manivela em direção oposta, enquanto se desfaziam os erros. Após a Facilit, tivemos as calculadoras eletrônicas, já na era digital.

Sistema binário

Aprendemos no ensino fundamental a utilizar a base decimal - isto é, os 10 signos que representam os números de 0 à 9, totalizando 10, por isso "decimal". O mundo inteiro hoje utiliza esse sistema numérico, mas será ele o mais utilizado? - Se pensarmos em um mundo digital: Não.

Para ler um texto, fazer uma conta, usar um computador ou dispositivo embarcado para qualquer fim, tudo o que o se têm por trás dos bastidores é um sistema binário; a base numérica utilizada pelos processadores (em algum momento talvez tenhamos o padrão quântico).

Por que demos tanta atenção aos números nesse artigo? - A razão é simples; de um sistema de contagem à verdadeira matemática, tudo o que somos de fato é um número; um indivíduo em uma população, uma unidade de uma classe social ou cultural. Quando olhamos para a humanidade, é tudo o que somos.

Sinais dos tempos: Registros modernos

Agora daremos um salto, passando direto pelo surgimento da energia elétrica à era atual.

Das gravuras em parede de cavernas passando por argila, telas, cadernos e fotografias, temos hoje os registros digitais que de fato começaram a mudar a vida das pessoas lá nos anos 80, quando o computador pessoal passou a ser a ferramenta padrão. Malotes de documentos que diariamente eram entregues em empresas passaram a ser recebidos por email; documentos de papel passaram a ser digitalizados ou digitados, surgindo a profissão (hoje extinta) de "digitador"; tudo se transformara. A promessa da época é que sobraria tempo para melhor aproveitar a vida, graças ao processamento rápido das tarefas feitas pelo computador. Mas o que aconteceu não foi isso. As pessoas passaram a receber maiores demandas, suas tarefas de multiplicaram; o que era feito por duas, três ou mais pessoas, passaram a ser feitas por uma única pessoa, utilizando um computador; uma única pessoa passou a registrar e executar grandes volumes de trabalho.

Dos disquetes aos CDs, DVDs e então pendrives, com a evolução da Internet, maiores velocidades e armazenamento na nuvem, hoje a própria Internet é um acervo histórico de valor incalculável e com grande parte de conhecimento disponível, porém desconhecido. Apesar de estarem sempre conectadas a partir de seus smartphones, as pessoas consomem mais tempo com conteúdo descartável de redes sociais do que qualquer conteúdo instrutivo e, por fim, o que haveria de ser a fonte de sabedoria para a evolução da humanidade acabara por se transformar em uma "máquina de criar zumbis". As redes sociais que haveriam de ser lugares em que as pessoas poderiam encontrar grupos aos quais se identificassem passaram a ser seitas que penalizam os que não seguem sua doutrina. "Aqui você não pode ferir o padrão da comunidade, ou será suspenso". A "comunidade"; um ser abstrato, sem identidade, que representa a vontade de um grupo de proprietários da rede social.

Talvez no futuro as próximas gerações percebam que houve uma lacuna na evolução da humanidade, detida por entidades abstratas que determinaram o que podíamos ler, assistir e opinar, através de suas ferramentas de influência. Ou talvez não haja mais o livre arbítrio, quando já tivermos sido subjugados por nossa passividade, comodismo e ignorância.

O controle social já é feito de diversas formas pelo Estado, através de tributos, taxas, multas, identificação. Podemos dirigir se autorizado pelo Estado; somos capacitados se o diploma emitido pelo Estado assim o disser; podemos fazer viagens intercontinentais, se o Estado emitir um documento de viagem. Mas ainda estamos a pelo menos meio caminho de um controle total, absoluto e incontestável, do qual trataremos no próximo artigo da série "sinais dos tempos".

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Nome do Autor

Djames Suhanko

Autor do blog "Do bit Ao Byte / Manual do Maker".

Viciado em embarcados desde 2006.
LinuxUser 158.760, desde 1997.